Homenagem Vinicius de Moraes

19 out 2012


Há 99 anos, nascia Vinicius de Moraes, cheio de poesia e melodia.


Canção de Nós Dois

Tudo quanto na vida eu tiver,
Tudo quanto de bom eu fizer,
Será de nós dois,
Será de nós dois.
Uma casa num alto qualquer,
Com um jardim e um pomar se couber,
Será de nós dois,
Será de nós dois.
E depois, quando a gente quiser,
Passear, ir pra onde entender,
Não importa onde a gente estiver,
Estaremos a sós.
E depois quando a gente voltar,
O menino que a gente encontrar,
Será de nós dois,
Será de nós dois.
E de noite quando ele dormir,
O silêncio do tempo a fugir,
Será de nós dois,
Será de nós dois.
E por fim, quando quando o tempo fugir,
E a saudade nos der de nós dois,
E a vontade vier de dormir,
Sem ter mais depois.
Dormiremos sem medo nenhum,
Pois aonde puder dormir um,
Podem dormir dois,
Podem dormir dois,
Podem dormir dois.
Cronologia da Vida e da Obra
1913 – Nasce no dia 19 de outubro.
1924 – Começa a cantar no coro do colégio, durante a missa de domingo. 
1927 – Conhece e fica amigo dos irmãos Paulo e Haroldo Tapajoz, com os quais começa a compor. Com eles, e alguns colegas do Colégio Santo Inácio, forma um pequeno conjunto musical que atua em festinhas, em casa de famílias conhecidas.
1928 – Compõe, com os irmãos Tapajoz, “Loura ou morena” e “Canção da noite”, que têm grande sucesso popular.
1933 – Publica seu primeiro livro, O caminho para a distância, na Schimidt Editora.
1935 – Publica Forma e exegese, com o qual ganha o prêmio Felipe d’Oliveira.
1936- Publica, em separata, o poema “Ariana, a mulher”.
1938 – Publica novos poemas e é agraciado com a primeira bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford (Magdalen College), para onde parte em agosto do mesmo ano.
1943 – Publica suas Cinco elegias, em edição mandada fazer por Manuel Bandeira, Aníbal Machado e Otávio de Faria.
1944-  Dirige o Suplemento Literário de O Jornal, onde lança: Oscar Niemeyer, Pedro Nava, Marcelo Garcia, francisco de Sá Pires, Carlos Leão e Lúcio Rangel, em colunas assinadas, e publica desenhos de artistas plásticos desconhecidos como: Carlos Scliar, Athos Bulcão, Alfredo Ceschiatti, Eros Gonçalves, Arpad Czenes e Maria Helena Vieira da Silva.
1945 – Colabora em vários jornais e revistas, como articulista e crítico de cinema. Faz amizade com o poeta Pablo Neruda.
1946- Publica em edição de luxo, ilustrada por Carlos Leão, seu livro, Poemas, sonetos e baladas.
1950- Viagem ao México para visitar seu amigo Pablo Neruda, gravemente enfermo. Ali conhece o pintor David Siqueiros e reencontra seu grande amigo, o pintor Di Cavalcanti.
1953- Compõe seu primeiro samba, música e letra, “Quando tú passas por mim”. Faz crônicas diárias para o jornal A Vanguarda, a convite de Joel Silveira.
1954 – Sai a primeira edição de sua Antologia Poética. A revista Anhembi publica sua peça Orfeu da Conceição, premiada no concurso de teatro do IV Centenário do Estado de São Paulo.
1955- Compõe em Paris uma série de canções com o maestro Cláudio Santoro. Começa a trabalhar para o produtor Sasha Gordine, no roteiro do filme Orfeu Negro.
1956- Colabora no quinzenário Para Todos a convite de seu amigo Jorge Amado, em cujo primeiro número publica o poema “O operário em construção”. Paralelamente aos trabalhos da produção do filme Orfeu Negro, tem o ensejo de encenar sua peça Orfeu da Conceição, no Teatro Municipal, que aparece também em edição comemorativa de luxo, ilustrada por Carlos Scliar. Convida Antônio Carlos Jobim para fazer a música do espetáculo, iniciando com ele a parceria que, logo depois, com a inclusão do cantor e violonista João Gilberto, daria início ao movimento de renovação da música popular brasileira que se convencionou chamar de bossa nova.
1957- Publica a primeira edição de seu Livro de Sonetos, em edição de Livros de Portugal.
1958- Sai o LP Canção do Amor Demais com músicas suas com Antônio Carlos Jobim, cantadas por Elizete Cardoso. No disco ouve-se, pela primeira vez, a batida da bossa novas, no violão de João Gilberto, que acompanha a cantora em algumas faixas, entre as quais o samba “Chega de Saudade”, considerado o marco inicial do movimento.
1959-Sai o Lp Por Toda Minha Vida de canções suas com Jobim, pela cantora Lenita Bruno. O filme Orfeu negro ganha a Palme d’Or do Festival de Cannes e o Oscar, de Hollywood, como melhor filme estrangeiro do ano. Aparece o seu livro Novos poemas II.
1961- Começa a compor com Carlos Lira e Pixinguinha. 
1962- Começa a compor com Baden Powell, dando inicio à série de afro-sambas, entre os quais, “Berimbau” e “Canto de Ossanha”. Compõe, com música de Carlos Lyra, as canções de sua comédia-musicada Pobre menina rica. Em agosto, faz seu primeiro show, de larga repercussão, com Antônio Carlos Jobim e João Gilberto, na boate AuBom Gourmet, que daria início aos chamados pocket-shows, e onde foram lançados pela primeira vez grandes sucessos internacionais como “Garota de Ipanema” e o “Samba da bênção”. Show com Carlos Lyra,na mesma boate, para apresentar Pobre menina rica e onde é lançada a cantora Nara Leão. Compõe com Ari Barroso as últimas canções do grande compositor popular, entre as quais “Rancho das namoradas”. Aparece a primeira edição de Para viver um grande amor, pela Editora do Autor, livro de crônicas e poemas. Grava, como cantor, seu disco com a atriz e cantora Odete Lara.
1963-Começa a compor com Edu Lobo.
1964- Regressa de Paris e colabora com crônicas semanais para a revista Fatos e Fotos, assinando paralelamente crônicas sobre música popular para o Diário Carioca. Começa a compor com Francis Hime. Faz show de grande sucesso com o compositor e cantor Dorival Caymmi, na boate Zum-Zum, onde lança o Quarteto em Cy. Do show é feito um LP.
1966- Aparece seu livro de crônicas Para uma menina com uma flor pela Editora do Autor. Seu “Samba da bênção”, de parceria com Baden Powell, é incluída, em versão de compositor e ator Pierre Barouh, no filme Un homme… une femme, vencedor do Festival de Cannes do mesmo ano.
1967- Aparecem, pela Editora Sabiá, a 6ª edição de sua Antologia poética e a 2ª do seu Livro de sonetos (aumentada). Estréia do filme Garota de Ipanema.
1968- Aparece a primeira edição de sua Obra poética, pela Companhia José Aguilar Editora. Poemas traduzidos para o italiano por Ungaretti.
1970-Início da parceria com Toquinho.
1972-Retorna à Itália com Toquinho onde gravam o LP Per viver e un grande amore.
1973-Publica “A Pablo Neruda”.
1976-Escreve as letras de “Deus lhe pague”, em parceria com Edu Lobo.
1977-Grava um LP em Paris, com Toquinho. Show com Tom, Toquinho e Miúcha, no Canecão.
1979-Leitura de poemas no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, a convite do líder sindical Luís Inácio da Silva. Voltando de viagem à Europa, sofre um derrame cerebral no avião. 
1980-É operado a 17 de abril, para a instalação de um dreno cerebral. Morre, na manhã de 9 de julho, de edema pulmonar, em sua casa, na Gávea, em companhia de Toquinho e de sua última mulher.

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